Uma Lua para Godot

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Position among the stars - documentário exibido no É Tudo Verdade 2011

A preferência por documentários sempre me proporcionou surpresas. Uma chance de conhecer realidades diferentes que, por falta de tempo ou conhecimento histórico, acabam sendo negligenciadas dentro da minha formação. Ontem tive a primeira experiência onde a reação da platéia me surpreendeu mais do que a obra.

Position among the stars é um documentário holandês que retrata de uma forma bastante literal a situação política e econômica da Indonésia. Durante 12 anos, o diretor da obra acompanhou uma família de baixa renda residente em Jacarta, trabalho que resultou em 3 obras sobre a Indonésia moderna, o quarto país mais populoso do mundo, tomado pela corrupção, grandes problemas sociais e violência.

Durante o filme, algumas partes são bastante impactantes pelas demonstrações de falta de higiene, conflitos familiares causados pelo vício ou divergência religiosa. O momento onde a prefeitura inicia o controle da dengue em uma favela é uma dessas partes.
Sem avisar a população local, os agentes sanitários pulverizam as ruas com uma substância tóxica e os transeuntes tentam se proteger do cheiro, correm e retiram animais do caminho dos agentes. Um inseticida poderoso, além de exterminar os focos da dengue, faz com que outros insetos fujam de seus esconderijos por conta da substância. A favela de Jacarta é tomada por centenas de baratas, que começam a correr para a casa dos moradores.

Começo a ouvir gargalhadas no cinema. A platéia rí por uns cinco minutos, como se o documentário fosse um espetáculo de stand up comedy. Para aquelas 80 pessoas, foi engraçado ver o desespero dos moradores da favela ao perceber que suas casas foram invadidas por insetos. O momento auge dessa crise de risos aconteceu quando uma barata mergulhou em um prato de comida de uma das casas e, na sequência, esse prato serviu para alimentar uma criança.

Percebo uma dezena de pessoas indignadas. Essa reação não combina com a situação apresentada na tela e, pelo nível de educação que se espera de uma platéia em festivais de documentário, fica mais constrangedor presenciar aquelas risadas. Desprezível.

As luzes se acenderam. Teve salva de palmas. Os responsáveis pelas risadas saíram para tomar seu café e contar aos amigos sobre o filme. Aquele mesmo tipo de gente que joga fora o iogurte dois dias antes dele vencer, cita grandes pensadores e sabe pouco da vida prática, não sabe o que fazer da vida e diz que vai viajar para se encontrar. Repetindo: desprezível.

  • 10 months ago
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